Aterrissamos no Vale do Silício (parte 4)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Dia 24/10 — sexta-feira

Aulas de inglês pelas manhãs — processo que ajudou na desinibição e na comunicação em língua estrangeira. Reservamos o final da tarde e noite para dois cursos que eu, Renato Ribeiro, e o Artur Sousa ministramos dentro da universidade para os alunos do curso de imersão.

Começamos falando e discutindo sobre o “Porquê, Como, O quê?” relacionado aos projetos que os alunos desenvolviam durante o curso. A maioria das pessoas não compra o que fazemos e sim por que fazemos. Ou seja, elas compram ideias compartilhadas. Se você conseguir atingir o público que compartilha da mesma ideia, este será fiel e propagador do seu produto, entretanto você precisa primeiro conhecer e estabelecer objetivos claros para o seu negócio. Seguindo esse raciocínio, o autor (Simon Sinek) nos mostra como podemos alcançar o sucesso nos comunicando de dentro para fora, ou seja, começando pelo “Por que”.

Em seguida, partimos para uma aula de “pitch” — termo em inglês utilizado para definir a apresentação de um determinado produto ou projeto. Em resumo, o pitch é você estar conectado e afiado com os problemas que seu produto resolve, o mercado no qual irá atuar, os diferenciais em relação aos seus possíveis concorrentes e o potencial de crescimento. Este discurso, de no máximo cinco minutos, precisa estar preparado e pronto para colocá-lo em prática a qualquer momento — seja em uma conversa de café ou uma apresentação formal perante juízes ou investidores.

Em cursos que ministro, recomendo aos alunos que criem o pitch com base no conceito do “porquê” alinhado à necessidade e o valor agregado (assista a “O Lobo de Wall Street”), desta forma facilitando o entendimento da mensagem — e ainda você corre o risco de ganhar um novo usuário ou investidor evangelista do seu projeto, por compartilhar da mesma causa ou desejo. Entenda que no pitch você precisa “vender o seu peixe” com extrema confiança e de forma natural (melhor que texto decorado), é ter o famoso brilho nos olhos no momento da apresentação. Se você esquecer o roteiro preparado — não demostre! —, faça uma pergunta simples e alinhada com o seu discurso naquele momento, dê uma pequena pausa para o ouvinte refletir enquanto você cria sua nova linha de raciocínio, em seguida siga como uma conversa normal.

No final da noite, após os alunos criarem, praticarem e receberem feedback dos seus pitchs, contamos a eles que teriam todo o final de semana para elaborarem uma versão em inglês e praticarem muito, pois na segunda fariam o pitch do seu produto para uma equipe de juízes dentro de uma das maiores empresas de competições de startups no mundo — o YouNoodle. #chupa

Dia 27/10 — segunda-feira

O dia começou tenso pois os alunos rebelaram e não foram para a aula de inglês, estavam finalizando e treinamento seus discursos — perfeito!

Na hora do almoço preparamos um kit-lanche para cada aluno e fomos para San Francisco de Caltrain (linha de trem que conecta várias cidades do Vale). Durante a viagem, revisamos o pitch de cada um dentro do trem — isso mesmo, é normal no Vale (ninguém o julga ou observa a sua conversa).

Chegando ao YouNoodle os alunos entraram no clima descontraído do escritório e mandaram superbem na apresentação dos seus projetos. Ao término de cada discurso, a equipe de avaliação da empresa fez uma rodada de perguntas e deu feedbacks a partir de uma visão profissional de quem atua no mercado global.

Embora não tenha sido problema na nossa atividade — pois estávamos ali para apoiá-los nesta questão —, o fato é que nem todos os alunos estavam plenamente confortáveis com a língua estrangeira, entretanto essa experiência serviu para tirá-los da zona de conforto mostrando que grandes oportunidades podem acontecer a qualquer momento. Você precisa estar preparado, como já havia mencionado neste artigo em maio de 2014.

Saímos de lá e fomos para a empresa Moovweb nos reunir com o Juan Camilo — um dos apoiadores do Appreendedor —, para mais uma sessão de pitch (em português) e novo feedback interno dos projetos.

Fechamos a tarde incrível comemorando com uma surpresa o aniversário de um dos alunos do curso de imersão. Estávamos na metade do curso e todos já sentiam claramente mudanças positivas na forma de pensar e agir de todos os que estavam envolvidos no processo. Não éramos mais um grupo, e sim um time alinhado no suporte e crescimento de cada um da equipe.

Dia 28/10 — terça-feira

Hora de voltarem com força total para as aulas de inglês (risos). Pela tarde falamos sobre Lean Startup, conceito de empreendimento simplificado baseado no livro de Eric Ries, e também hora de praticar o Business Model Canvas do projeto de cada aluno. Muitos de vocês estão acostumados a terem uma ideia de produto e partirem logo para o canvas, certo? Como nossos alunos são empreendedores de negócios de sucesso no Brasil, assumimos que já conheciam o conceito/modelo, e que naquele momento depois de receberem feedbacks internos e externos, era hora de repensarem o canvas inicial e partirem para uma visão de produto global dentro do entendimento de cada área.

Publicado em: https://macmagazine.uol.com.br/post/2014/12/19/appreendedor-aterrissamos-no-vale-do-silicio-parte-4/

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por Renato Ribeiro Tempo para ler: 5 min
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